A verdadeira vencedora não é a CazéTV
Nesta 44ª edição, mergulhamos num tema que incomoda: o que a explosão das bets (as casas de apostas esportivas online) no futebol brasileiro revela sobre os limites da inovação. Também trazemos exemplos de inovação de verdade vindos da China, a superaula de julho com um convidado que trocou de vida inteira, e um associado da Liga dos Inovadores que construiu um dos primeiros portais digitais do agronegócio no Brasil, praticamente sem ninguém saber.
Se uma ideia nova só sobrevive vendendo dependência, ela não é inovação. É negócio disfarçado de modernidade.
Você já parou pra pensar por que é praticamente impossível assistir a um jogo de futebol no Brasil hoje sem ser bombardeado por propaganda de aposta? Não é acaso. É modelo de negócio.
Aqui na Liga dos Inovadores a gente repete sempre a mesma ideia: inovação só é válida quando gera impacto positivo. Ela precisa resolver um problema real, gerar valor pra sociedade, deixar o mundo um pouco melhor do que encontrou. Quando some esse compromisso, sobra só a novidade pela novidade, e aí o risco de fazer mal é grande.
O caso da CazéTV é didático. O canal nasceu como alternativa à hegemonia da TV aberta na transmissão de grandes eventos esportivos, e por um tempo isso pareceu bacana. Hoje ele detém a exclusividade da transmissão dos jogos da seleção no Brasil e tem patrocínio de casas de apostas em praticamente todo espaço disponível. Resultado, quem quer ver a seleção jogar não escolhe se quer ver propaganda de bet. É pacote fechado. Você vira refém de um modelo publicitário só porque gosta de futebol. São as bets as grandes vencedoras desse modelo de transmissão.
Rodrigo Labanca, publicitário, resumiu bem esse incômodo num post recente. Ele conta que apostou fé no canal quando ele quebrou a hegemonia da Globo na Twitch e depois no YouTube, mas hoje não consegue mais assistir aos jogos por lá por dois motivos: o volume de propaganda de bet e o tom que ele chama de machosfera em alguns momentos da transmissão. Ele lembra uma fala antiga do Casemiro dizendo que queria fazer diferente e ironiza que o diferente virou isso, um mar de propaganda de aposta e odds anunciadas ao vivo (as odds são a cotação que a casa de aposta divulga, indicando quanto o apostador pode ganhar em cada lance).
E olha que curioso: a legislação brasileira proíbe a propaganda de cerveja e vinho fora do horário das 21h às 6h e ainda veda expressamente qualquer associação entre bebida alcoólica e prática esportiva, conforme a Lei 9.294/96. Ou seja, o país já decidiu, há quase trinta anos, que álcool e esporte não deveriam se misturar na tela. Mas aposta pode, em qualquer horário, no meio do jogo, com odds sendo anunciadas ao vivo. Faz sentido pra você?
Um estudo da CNC (Confederação Nacional do Comércio) em parceria com o Sesc e o Senac mostra que o varejo brasileiro perdeu mais de R$ 100 bilhões em faturamento em 2024 por causa do desvio de consumo para as apostas.
O economista Eduardo Moreira, fundador do ICL (Instituto Conhecimento Liberta), calcula que as casas de apostas embolsam algo perto de R$ 40 bilhões por ano só com o que os apostadores perdem, e estima que o volume total apostado em 2025 pode ter passado de R$ 600 bilhões, bem acima do que costuma circular nas manchetes. No Congresso, um projeto de lei (PL 1808/26) que pede o fim das operações de bets no país já tem 68 assinaturas de parlamentares. O debate está longe de ser marginal.
Dá pra resumir em três aprendizados que valem pra qualquer negócio, não só pro mercado de apostas:
- Impacto positivo não é detalhe de propósito, é pré-requisito. Se o modelo de receita depende de alguém perder mais do que ganha, repetidamente, isso não é inovação, é exploração com roupa nova.
- Exclusividade sem contrapartida vira armadilha. Quando você prende o público num único caminho, sem alternativa, a relação deixa de ser escolha e vira dependência. Isso vale pra transmissão de jogo, vale pra qualquer produto que se orgulha de não deixar o cliente sair.
- Regra que já existe pra um setor deveria valer pra outro parecido. Se o Brasil decidiu proteger o esporte da publicidade de álcool, por que trata apostas com menos rigor, sendo que o dano relatado é comparável ou maior? Vale questionar, e vale também ouvir quem pensa diferente, já que o setor de apostas hoje é legal e regulado no país, e parte do debate público é justamente sobre até onde a regulação deveria ir.
China: do outro lado do mundo, outro jeito de inovar

Pra equilibrar a conversa, vale voltar num assunto que já apareceu por aqui na edição passada, quando o professor Artur Motta trouxe a China pra nossa SuperAula. Reunimos mais quatro vídeos sobre inovação chinesa, disponíveis no canal do professor Marcelo Pimenta no YouTube, que mostram bem o contraste com o exemplo das bets:
- Templo do Céu, em Pequim, cercado de simbologia de yin e yang que os chineses tratam como inspiração de negócio até hoje
- Uma loja de presentes criativos em Pequim, exemplo de como pequenos negócios locais usam design e narrativa pra se diferenciar
- Hema, rede com mais de 125 lojas físicas que vendem muito mais no digital, misturando varejo tradicional com tecnologia sem perder a experiência presencial
- Um recorte sobre arte robótica, mostrando o quanto o país aposta em criatividade aplicada, não só em eficiência
É inovação que soma, não que subtrai. Vale conferir os quatro vídeos completos no canal Marcelo Pimenta Inovador.
📅 Agenda da comunidade
E a Liga dos Inovadores segue com a sua programação semanal na Hora da Liga. Toda quinta 10h, um encontro diferente pra te apoiar nos seus projetos e te manter sempre atualizado.
Neste mês de julho, já tivemos o primeiro encontro com o consultor Gianmarco Schiavo com a revisão dos objetivos do semestre. No dia 9, Marcelo Pimenta segue com a aplicação do Playbook de Inovação descomplicada com IA e na última quinta, 23/07, a conectora Priscila Pinheiro facilita o encontro de networking da comunidade. Mas antes disso, tem a nossa Superaula de julho com Júlio Bessa: Dia 16/07, quinta-feira, às 10h.
Julio Bessa é associado da Liga dos Inovadores e tem uma virada de vida e tanto pra contar. Ele era head da própria agência, hoje quem toca o negócio é a esposa. No meio do caminho, ele se aproximou da ayahuasca (bebida ritualística usada em cerimônias indígenas e neoxamânicas, ligada a processos de autoconhecimento), conheceu um percussionista xamânico e, juntos, criaram um produto digital que mudou o rumo da carreira dele. Hoje ele soma mais de 17 mil seguidores no Instagram, meio milhão de visualizações por mês, mais de 600 alunos e mais de mil vendas do curso que nasceu dessa virada.
Bora ouvir essa história de perto! O encontro é exclusivo para associados, mas você pode participar solicitando uma cortesia para a nossa conectora, pelo WhatsApp: (11) 96179-7446.
📣 Pra ir além na Inovação que faz sentido
Se esse tema de separar inovação de verdade daquela que só finge ser fez sentido pra você, vale conhecer a palestra Descomplicando a Inovação, do professor Marcelo Pimenta. Nela ele trabalha exatamente essa pergunta, o que é inovação e por que ela importa, e mostra como sair da teoria pra ação prática dentro da empresa. Detalhes em professorpimenta.com.br/palestras/descomplicando-a-inovacao.
👤 Associado em destaque
Se tem um nome que merece ser mais conhecido por aqui, é o de Antônio Borges, fundador do Agrolink.

Fundado em dezembro de 1998, o Agrolink (agrolink.com.br) é considerado o primeiro veículo de comunicação 100% digital do agronegócio brasileiro, com média de 1 milhão de usuários únicos por mês entre agricultores, engenheiros agrônomos, técnicos e estudantes.
A trajetória de Borges começou em 1968, como locutor convidado na rádio da Universidade Federal de Santa Maria, onde depois cursou Engenharia Agronômica. Antes de fundar o portal, ele passou por uma carreira diversa, deu aulas na cadeira de Planejamento Florestal da UFSM e desenvolveu planejamento estratégico para grandes companhias do agro.
Mais de duas décadas antes de qualquer discussão sobre transformação digital virar hashtag, ele já estava construindo a dele.
Conecte-se com o Pimenta e a Liga dos inovadores! Inscreva-se gratuitamente no site ligadosinovadores.com.br
Redes sociais do Marcelo Pimenta Inovador: Instagram instagram.com/marcelopimentainovador e YouTube youtube.com/marcelopimentainovador
Nos vemos na próxima edição!
Um abraço,
Equipe Marcelo Pimenta.